Construção civil

Construção civil

Construção civil requer solução customizada

Até 2020, as soluções customizadas em aço deverão atingir 20% do universo de edificações no Brasil hoje, elas representam 15%. Trata-se de um avanço importante, mas ainda há muito para crescer quando se compara com Europa e Estados Unidos, onde essas soluções já representam entre 50% e 70%. Por trás desse salto, está uma combinação de fatores cada vez mais valorizados na construção civil: a sustentabilidade, na medida em que praticamente não gera resíduos, o ganho de produtividade, com redução de mão de obra e menor tempo de duração da construção. E a praticidade, já que atende à solução desenhada e desejada pelo cliente.

Não por acaso, o perfil da carteira de clientes das siderúrgicas que buscam por soluções customizadas têm, em comum, preocupações como a velocidade na entrega da obra, perdas mínimas, estruturas mais leves e de alta resistência. “São obras bastante complexas. Boa parte delas está na área de infraestrutura, mas temos também empreendimentos de múltiplos andares, shoppings, estacionamentos, edifícios e galpões”, afirma Rinaldo Machado de Almeida, diretor executivo de vendas da Usiminas.

Até dois anos atrás, 60% das obras, segundo o executivo, estavam focadas em infraestrutura. “Esse segmento está em queda, mas quando a economia for retomada voltará operar em pleno vapor devido às vantagens competitivas do aço frente ao concreto”, afirma Almeida. No primeiro trimestre a Usiminas registrou recuo de pelo menos 30% nos pedidos de encomendas em relação a igual período do ano passado, segundo o diretor. Outra vantagem está no equilíbrio do fluxo de caixa. “Maior velocidade de execução da obra ajuda muito o fluxo de caixa da empresa no que se refere ao cronograma de desembolso das companhias”. Marcos Eduardo Faraco Wahrhaftig, diretor de marketing e vendas de aços longos da Gerdau, acredita que apesar da estagnação do mercado as Parcerias Público Privada (PPPs) irão destravar os investimentos em infraestrutura e podem ser um catalisador para sua recuperação. “Essa é a tendência do mercado. Produtividade e sustentabilidade são palavras chaves na área de construção civil e o aço atende a essas expectativas”, comenta. Na sua avaliação, as soluções customizadas vieram para ficar. “Hoje, esse tipo de produto representa cerca de 3% de nossas entregas. Há um ano e meio era zero. É um setor com muitas oportunidades e forte crescimento”, diz.

A ArcelorMittal, maior produtora de aço do mundo, disponibilizou ao mercado recentemente a solução estrutural chamada de armadura pronta. Trata-se de uma estrutura finalizada e armada para aplicação de acordo com o projeto da obra. “Além de seguir a tendência mundial de industrialização da construção civil e racionalização dos seus processos, o produto também reduz a demanda de operários na obra”, diz Henrique Morais, vice-presidente comercial de aços longos da ArcelorMittal Brasil. “As peças são entregues diretamente na construção, de acordo com o cronograma de execução da obra”.

Usiminas vem operando em parceria com outras companhias. O novo terminal do Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, teve sua estrutura montada a quatro mãos, ou seja, a siderúrgica forneceu as chapas de aço e a Codeme, empresa de engenharia na qual a Usiminas tem participação societária, montou as estruturas. “Atuamos sempre em parceria. A Usiminas fornece a matéria-prima às empresas ligadas a ela e essas companhias fornecem os componentes e estruturas”, diz Almeida. “Temos os canais próprios para a parte de projetos, fabricação, montagem e instalação; são todas empresas especializadas”, completa.

Carolina Fonseca, gerente executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), acredita que ainda há muito espaço para o país crescer no quesito soluções customizadas. “Nos Estados Unidos, 50% das construções multiandares comerciais são em aço; na Inglaterra, chegam a 70%”, relata. A executiva observa que hoje, produtividade e sustentabilidade andam de mãos dadas na área de construção e que o aço atende a essa expectativa. “Esperamos atingir 20% das construções em aço nos próximos cinco anos”.